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Artigo: Deveria o Uso de Joias Ser Permitido no Campo?

Should Jewellery Be Brought Back to the Pitch?

Deveria o Uso de Joias Ser Permitido no Campo?

Olhe para qualquer foto antiga de futebol e vai notar as coisas que o futebol moderno silenciosamente eliminou. As camisolas mais pesadas, as golas enlameadas, as mangas por dentro, e o pequeno brilho de metal que se vê logo acima do decote.

Esse detalhe atravessa todas as eras do jogo. As fotos dos anos 60 e 70 com camisolas manchadas de lama e correntes visíveis. As formações dos anos 80 e 90 com cruzes escondidas logo abaixo da gola. Os equipamentos podem mudar a cada década, mas as pequenas peças de metal que significavam algo para os homens que as usavam não mudam.

Jogador de futebol à moda antiga beijando a corrente ao pescoço num momento tranquilo em campo, capturado a preto e branco.

Olhando para trás agora, esses detalhes parecem inseparáveis da imagem. Não porque a joalharia os tornasse melhores jogadores, ou porque uma corrente alguma vez tenha marcado um golo, mas porque dizia algo sobre a pessoa que vestia a camisola.

Pelé tinha o seu pendente. Maradona tinha as suas correntes e cruzes. Ronaldinho usava ouro que se movia a cada passo. Balotelli transformava cada plano aproximado numa declaração gelada. Mas hoje, a regra é clara. A joalharia sai. Uma corrente solta pode prender-se, um anel pode cortar a pele, e ninguém sério no jogo quer ignorar a segurança.

E é isso que torna a questão interessante, porque isto não é realmente sobre se um jogador deve poder usar uma corrente de ouro durante 90 minutos. É sobre o que o futebol perde quando esses detalhes pessoais são retirados antes do apito.

O que os fãs realmente sentem falta

A maioria dos fãs de futebol não está a exigir joalharia no início do jogo.

O que os fãs sentem falta, quando falam do futebol antigo, raramente é uma única coisa. É a sensação. A rudeza, a imprevisibilidade, a ideia de que o jogo tinha mais espaço para o carácter antes do VAR, das câmaras corporais nos árbitros e da análise quadro a quadro que transformou cada momento em algo a ser medido, gerido e revisto.

Sentem falta dos jogadores que pareciam maiores do que a vida. Aqueles que tentavam coisas que nem sempre faziam sentido no papel. Aqueles que jogavam como se tivessem algo a provar. E algo a perder. Os Ronaldinhos, os R9, os jogadores que faziam o futebol parecer menos ensaiado e mais vivo.

Jogador de futebol à moda antiga a celebrar um golo com uma corrente visível no decote, capturado a preto e branco.

Isso não quer dizer que o futebol moderno seja pior. É mais rápido, mais limpo, mais tático e mais profissional em quase todos os aspetos. Mas há uma razão pela qual os fãs ainda falam do futebol antigo com aquele olhar no rosto. Deixava mais espaço para a expressão, mais espaço para a loucura e mais espaço para os jogadores que pareciam e se moviam como ninguém mais.

Balotelli com os brincos, o corte de cabelo, o olhar. Ronaldinho com a corrente a brilhar enquanto dançava entre os defesas. Maradona a usar cruzes como se fossem parte da sua armadura. Esses detalhes não substituíam o futebol. Acrescentavam à mitologia à sua volta.

Um pouco dessa nostalgia é cor-de-rosa, claro que é. Nem tudo no futebol antigo era melhor. Mas talvez, no processo de limpar o jogo, o futebol tenha perdido um pouco da magia que o fazia sentir vivo.

Fora do campo, está em todo o lado

Os futebolistas modernos não deixaram de usar joalharia. Pelo contrário, a relação do futebol com a joalharia nunca foi tão visível.

Defesa do Tottenham e da Argentina Cristian Romero a usar uma corrente CRAFTD numa reportagem da Sports World.

Cristian Romero estilizado pela CRAFTD para a Sports World Magazine.

Está presente em todo o lado onde o jogador aparece. Na chegada. No autocarro da equipa. Nas fotos do aquecimento, no balneário e nas celebrações pós-jogo. Nos sofás dos comentadores, nos estúdios de podcast, sessões de moda, campanhas de marcas, entradas no túnel e conteúdos do centro de treinos. Diga o que quiser. Em cada espaço que o futebol moderno abre, a joalharia é parte integrante da forma como os jogadores se apresentam.

Seja uma corrente, um relógio, um anel ou um colar com pedras preciosas, cada peça diz algo sobre o jogador muito antes de ele tocar na bola.

Raheem Sterling e Rio Ferdinand a usar joalharia CRAFTD num retrato de marca estilizado.

Defesa do Manchester City e da Suíça Manuel Akanji a usar joalharia CRAFTD numa reportagem da Sports World.

Manuel Akanji estilizado pela CRAFTD para a Sports World.

E à medida que o Mundial de verão se aproxima, as próprias regras começaram a suavizar. A atualização da IFAB para 2026/27 ainda proíbe correntes, anéis, pulseiras e toda a outra joalharia, mas agora permite que certos itens não perigosos sejam usados se estiverem segura e devidamente cobertos, incluindo peças que tenham significado cultural, religioso ou pessoal. A porta não se abriu, mas a linguagem mudou.

Em alguns desportos, porém, a joalharia e os objetos pessoais ainda estão mais próximos da ação. Jogadores de basebol usam correntes em campo, lutadores entram no ringue usando joalharia, e atletas ganham medalhas de ouro com pendentes dourados ao pescoço.

Decatleta olímpico Leo Neugebauer a usar uma corrente CRAFTD nas Olimpíadas.

Leo Neugebauer a usar CRAFTD nas Olimpíadas. Leia mais aqui.

Cada desporto tem a sua própria linha, mas a do futebol é uma das mais rígidas.

Quando o jogo começa, o jogador fica reduzido ao essencial. Camisola, calções, meias, chuteiras e caneleiras. Nada solto, nada extra, nada que possa prender-se, cortar ou atrapalhar. O árbitro, entretanto, sai com uma câmara presa ao peito.

Nunca foi só a joalharia

Num desporto onde se espera que todos os jogadores se vistam da mesma forma, os menores detalhes começam a importar. A corrente escondida por baixo da camisola. As chuteiras de cor vibrante. O corte de cabelo que o treinador provavelmente odiava. Qualquer miúdo que leia isto entende esse sentimento. Aparecer na escola com os ténis que não devias usar, não porque alguém se importasse, mas porque por um dia querias sentir-te tu mesmo.

Os jogadores que mais lembramos são geralmente aqueles que encontraram uma forma de ser inconfundivelmente eles próprios dentro do jogo. Uma corrente pode ser ostentação, claro. Mas também pode ser família, fé ou um lembrete do quanto alguém já percorreu. Para a multidão, pode não significar muito. Para quem a usa, significa tudo.

Um pendente beijado antes de um penálti diz algo muito diferente de um Rolex numa foto de chegada. Um é estilo. O outro é ritual. E o futebol sempre entendeu o ritual. A joalharia, no seu melhor, pertencia a esse mundo.

Não moda, mas sentimento.

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